Daniel Frasson Costa
Eu já fui simplesmente Daniel, já fui Dani, Dandam, DannyBoy. Já fui também Daniel-meu-mel. Já fui o último, depois o milésimo, e depois o segundo. Nunca fui o primeiro. Hoje sou Daniel Frasson Costa, alto e meio gordo, e isso eu serei para sempre, com certeza.
Já tive medo do escuro e do chupa-cabra. Dos mortos vivos então, nem se fala... Já tive vontade de ser careca, ou ter cabelo enrolado e comprido. Hoje ele é curto, preto-opaco-olheoso, e eu sei quem gosta dele, bagunçado, arrepiado ou só penteado. Já reclamei de não ter o que vestir. Hoje... tenho mais o que fazer.
Já fui de ki-chute para a escola, mas nunca de chinelo. Já fui fã de pulseiras, daquelas pretas de plástico. Já usei colar, já quis usar brinco, mas nunca tive coragem. Já tive também um anel com uma caveira. Já desejei ter tatuagem pelo corpo e um óculos escuro. Hoje, quero usar sapato todos os dias e descobri que fico bonito de calça social, e terno e gravata nem é tão ruim assim. Mas eu ainda não usaria sandálias.
Já comi metade um pacotinho de chocolate granulado de uma vez só, e depois não quis comer por vários dias. Já me achei gordo, e fiz musculação. Desistia sempre na primeira semana...
Já andei de ônibus, táxi, trem, metro e avião. Já andei a pé e de bicicleta, de barco e de carroça. Hoje eu ando de carona, e um dia, eu vou andar de balão.
Já fiz aula de teatro, curso de palhaço e de marcenaria. Já desfilei no 7 de setembro vestido de índio. Já cantei e chorei debaixo do chuveiro. Já tive vontade de pular de pára-quedas.
Já caí de bicicleta, de patins. Já caí de skate, da escada e já caí das nuvens também. Tentei roubar umas cores do arco-íris. Conheci pessoas maravilhosas. Aprendi com as minhas decepções, chorei de dor e de alegria. Já tive mais esperanças. Hoje continuo dando meus tropeções...
Já quis ter um restaurante, ser astronauta, veterinário, médico e cientista. Até ser jogador de futebol. Já quis ser professor e, por algum tempo, eu fui. Já tive minha própria empresa, e hoje espero ser executivo. Amanhã não sei...
Já sobrevivi nos USA, experiênciei no Japão, visitei a Argentina, e Europa. Já morei com um chileno, um peruano, um búlgaro, duas romenas e quatro tailandeses, um monte de chineses, um alemão, uma russa, uma francesa. Tailandeses, filipinos, coreanos, americanos e canadenses.
Já chorei porque ninguém gostava de mim. Já fugi para o mundo e deixei a vida me levar. Já brinquei de Banco Imobiliário, nunca de WAR, e não sei jogar cartas. Já dormi abraçado com um elefante azul de pelúcia.
Já senti saudades de momentos, lugares e pessoas. Hoje sinto saudades até do que não aconteceu.
Já fiz muitos planos, mas, hoje, descobri que é melhor dar um passo de cada vez, mas sem deixar de sonhar. Já achei que muita coisa era pra sempre e, algumas delas, ainda são, sempre serão... aconteça o que acontecer.
Já descontei mau humor em quem não merecia, e depois pedi desculpas. Já tomei decisões por impulso, e nunca, ate hoje, me dei mal. Sempre pedi desculpas quando estava errado e aprendi que é justamente o “sem querer” que tanto machuca.
Já tive vergonha de dançar. Hoje é uma das coisas que mais gosto de fazer, embora sempre me digam que meus movimentos são desengonçados. Já reclamei de tanta coisa que deveria agradecer. Já não fui com a cara de tanta gente e hoje descobri que elas são tão legais...
Já corri pelado na neve e já quis fugir de casa.
Já quis tomar um IAKUT de litro e correr de um trem. Já acreditei menos em Papai Noel e em Coelhinho da Páscoa. Hoje tenho certeza que eles existem. Já corri atrás de bola e já chutei o chão. Já fui um guri um moleque, uma criança... Hoje sou homem, maduro, feito e capaz, mas na sua frente... Pareço um menino.
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