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Uma multidão de ideias

Publicado em: 09-09-2010 | Por: Paula Lino de Almeida | Em: Administração, Atualidades

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Nós humanos somos assim: toda vez que conhecemos alguma coisa nova damos start a um processo mental de associações e relações “é parecido com isso, me lembra aquilo, difere de tal coisa…” e por ai vamos até que estabelecemos uma primeira ideia daquilo que nos é apresentado.

Eventualmente manteremos nosso conceito, esqueceremos ou nos surpreenderemos com o quanto estivemos errados. Assim, construímos novas ideias, novos pontos de referência.

Há alguns meses, ouvi uma palavra nova: Crowdsourcing. Meu estoque de velhos conceitos começou a se mobilizar, tentando dar lugar ao novo que chegava. O criador do termo é Jeff Howe, escritor e editor da revista Wired Magazine. A máxima se baseia na ideia de que o conhecimento está disperso pelo mundo, e, sobretudo, nem sempre quem o detém é um profissional ou trabalha em determinada área. Esta concepção nos aproxima da noção de Sociedade do Conhecimento. Peter Druker (2002,  pg.181), afirma que na sociedade do conhecimento os  trabalhadores do conhecimento possuem os meios de produção. Ou seja, grande parte do investimento das empresas não está em suas máquinas ou bens físicos e sim em seu capital humano. Além disso,  a sociedade do conhecimento é dotada de mobilidade, fato que se deve ao desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte. O advento da internet, em especial, propicia a plataforma que é capaz de unir, relacionar e debater conhecimento onde quer que ele esteja, e, a tendência é que cada vez mais pessoas acedam a ela.

Em uma tradução livre das palavras de Howe, Crowdsourcing é uma forma de mobilizar inteligência, conhecimento e informação de forma voluntária através da internet com o objetivo de criar conteúdo, produtos ou mesmo resolver problemas. Apostando que as melhores cabeças não estão todas dentro de uma única organização, iniciativas como o InnoCentive reúnem de um lado empresas buscando soluções na forma de desafios,  de outro solvers propondo respostas a espera de reconhecimento e recompensa. A grande sacada está na percepção de que uma ideia inovadora pode surgir a partir de amadores, especialistas, aposentados, amantes de certo tema ou loucos por desafios. Interessante é constatar que foi a internet a principal responsável pelo acesso ao crowd. A multidão sempre esteve presente, carregando suas peças de conhecimento, mas é a rede mundial que possibilita que o quebra-cabeça comece a ser montado: busca, encontra e traz as peças onde quer que elas estejam.

Desta forma, da mesma maneira que abrimos nossas mentes para novos conceitos, empresas começam a se abrir para essa recente ferramenta. Começam a perceber a força e eficiência da junção de pequenas peças de conhecimentos soltas pelo mundo, que a um menor custo podem gerar resultados inovadores. Assim, espelhamos a realidade da Sociedade do Conhecimento na qual vivemos. Já não há mais espaço para empresas fechadas de olhos fechados. Conceitos novos surgem para novos comportamentos. Conceitos adaptados, recriados, renegados e debatidos de forma interativa em âmbito mundial.

Fontes:

  • Druker, P.F.;  A administração na Próxima Sociedade; São Paulo: Nobel, 2002
  • Howe, J. “The rise of crowdsourcing”; Wired, volume 14, number 6 (June), 2006

Por Paula Lino de Andrade

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