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O “Jogo do Contente”.

Publicado em: 08-09-2010 | Por: Lucimara A.Leandro | Em: Atualidades, Comportamento

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Atrasados. Já passou da hora de a sociedade como um todo aprender a agir de maneira mais sustentável, afinal  é disso que depende o nosso futuro.

Sei o valor imensurável do meio ambiente e quando digo meio ambiente, não estou falando apenas de fauna e flora, me refiro a mim, a você, porque querendo ao não somos todos, parte dessa teia.

Não vá pensando que matar um animalzinho aqui, incendiar uma floresta ali… E por ai vai… só afeta a natureza.

De maneira nenhuma, estamos todos dependentes um do outro. E basta um fio dessa teia arrebentar para que todos os esforços realizados para tecê-la sejam em vão. E é justamente isso que vem acontecendo paulatinamente e que precisa ter um basta. Então peço a atenção de todos para o que dizem os ambientalistas. Faça sua parte independente se o outro faz ou não. A situação há de ficar cada vez pior, mas se cada um fizer o mínimo de ações será possível sim, reverter um  pouco de todo o mal que fizemos. Não estou dizendo que a sociedade vai despertar e que tudo mudará da noite para o dia, não mesmo, afinal estou me referindo aos “seres humanos” (se é que todos, assim podem ser chamados) e meu mundo não é o de Pollyana. (Para quem não sabe, Pollyanna é um livro no qual sua filosofia de vida está focada no que ela chama “O Jogo do Contente”. Em síntese, “o jogo do contente” é sempre assumir uma atitude otimista, não importa quão difícil seja a situação).

Pois bem, eu agora os convido para jogar o “Jogo do Contente”. Vamos? O milionário fazendeiro destrói metade de uma reserva ambiental para servir de pasto para suas inumeráveis cabeças de gado. O açougueiro ficará contente, pois o preço da carne não irá aumentar e a clientela continuará comprando cada vez mais. Os vorazes carnívoros darão vivas, pois não faltará carne em suas mesas. Viu como todos ficaram contentes, independente do acontecido, eles viram um lado positivo em tudo isso. Agora mais uma pequena historinha do “Jogo do Contente”. O produtor rural se orgulha de suas plantações, ele produz desde hortaliças até frutas, e são umas maiores que as outras (é de causar espanto, inclusive a quantidade de litros de agrotóxicos despejados nas plantas e no solo, para que esses produtos fiquem assim). Os vegetarianos por vez ficam maravilhados com as verduras e frutas que encontra no supermercado.

E o dono do supermercado fica ainda mais contente porque com os agrotóxicos, os vegetais não estragam tão rápido, e ficam mais vistosos, o que faz a clientela procurar sempre por esses produtos. Já pessoas como eu, e talvez você que optamos pelos dois estilos alimentares (somos carnívoros e vegetarianos), ficamos ainda mais contentes porque temos muita carne de “boa qualidade” em oferta e vegetais e frutas “extremamente suculentos e sem bichos”. Viu?! Esse é o jogo do contente. Não importa que o fazendeiro destrua a floresta para a pastagem, ou encha seu gado de soro e outros produtos adicionados a sua comida para que ele cresça mais rápido e assim ofereça mais carne, ( carne esta, cada vez menos saudável). Não importa que o agricultor injete no solo, na água e na sua boca venenos que podem reduzir sua vida a cada refeição. Tudo isso não importa, porque afinal estamos todos contentes, certo?

Errado. Eu peguei a idéia do livro Pollyanna apenas para mostrar que no mundo real as coisas não são e não devem ser assim. Esse “Jogo do Contente” só serviu no mundo de Pollyana, e nós não fazemos parte desse mundo (eu pelo menos, não!). Não sou contra atitudes otimistas, pelo contrário, o que eu proponho é fazer com que as pessoas enxerguem o futuro dessa forma, mas sem exageros. Não podemos ficar contentes com a situação cada vez mais deplorável em que se encontra o meio ambiente. Não podemos achar que por mais que as pessoas tomem atitudes como estas e ajam dessa forma tudo dará certo, porque não é assim. Se continuarmos como Pollyanna estaremos fadados ao “Jogo do Contente”, e nesse contexto o “Jogo do Contente” não tem nada de contente.

Por Lucimara Leandro

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