Discurso sobre as convicções
Publicado em: 08-09-2010 | Por: Marcelo Teixeira Lima | Em: Atualidades, Comportamento
Tags:convicções; princípios pessoais; credos;
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Não sou democrata. Não preciso de profissões de fé nem de teoria política para respeitar-me, respeitar os outros, ser honesto, leal, justo, amigo, solidário. Não sou religioso. Não preciso de verdades de fé nem de dogmas para ser fiel aos meus princípios pessoais, fruto de uma construção trabalhosa e consciente, ao longo de toda uma vida, aprendendo com os erros meus e dos outros.
Acredito em mim e na bondade dos outros. Não acredito em milagres, a não ser no milagre quotidiano da vida com todas as suas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, incertezas e profundas convicções. Vendo-me, como toda a gente, mas tento ter um preço tão alto que desencoraje possíveis compradores. E vendo-me por afetos, por amor, por amizade, por ideais, nunca por moedas. Amo as pessoas sem distinguir gêneros, credos nem cores. Sou intransigentemente fiel. A mim mesmo, à minha consciência, não a amores e desamores frutos de tortuosos caminhos que levam da incerteza à desconfiança, da desconfiança ao ciúme, deste ao ódio. Premio-me quando acerto, emendo-me quando erro.
Choro, sem pudor, quando o peito aperta e a angústia se instala nas vísceras. Tento ser paciente e condescendente com as minhas fraquezas e com as dos outros porque já errei muito e já falhei inúmeras vezes, mas nunca deixei de ser eu por isso, nunca me menosprezei nem diminuí. Acreditei sempre que é possível refazer tudo, mudar tudo, recuperar tudo, menos a morte. Por isso sou tolerante com a inépcia dos outros, não com a irracionalidade nem com a intransigência, com a maldade desnecessária nem com a desumanidade degradante. Aprecio e louvo a beleza, ouço os poetas, o bramir do vento, a chuva, o estalar das folhas secas no verão, o murmúrio do mar na calma, e o seu rugido na fúria da tempestade, os grilos sob as folhas da erva, a música. Gosto das coisas frágeis e da força das coisas. Sem medo de cometer pecados ou receio de castigos eternos, antes por que acredito que é assim a lei natural. Entendo a verdade como a coerência do pensamento com o pensamento não como entidade externa e absoluta, universal e razão bastante que justifique infligir, qualquer tipo de mal ou castigo, seja a quem for. Não acredito em sorte ou determinismos. Sei que é sempre possível tomar a vidas nas próprias mãos e fazê-la vergar-se à nossa vontade, se estivermos dispostos a pagar o preço. Acredito que tudo tem um preço, é preciso que valha a pena pagá-lo. Não acredito na justiça humana. Acredito num equilíbrio universal que ora se desloca no sentido da nosso querer e conveniência, ora, com a mesma falta de razão, no sentido oposto.
Enfrento as tempestades de peito aberto quando posso, refugio-me dentro de mim e espero melhores dias, quando me falta o ânimo, a vontade ou a força para fazê-lo. Recuo e avanço. Venço e sou derrotado. renuncio ou reafirmo-me. Exulto de humana vaidade pelas minhas vitórias ou coro de pudor pelas minhas fraquezas. Perco-me e encontro-me todos os dias. Enfim, sou homem, tanto quanto me permitem as humanas forças.
Por Marcelo Teixeira Lima


















Muito bom seu texto, me identifiquei quase que 100%, se é apenas um poema eu não sei mas se é assim que você pensa, meus parabéns não te conheço mas deixo meu reconhecimento pessoal, muito bom!!!
Muito obrigado pelo elogio! Não é um poema, é mais uma divagação, um desabafo pessoal!