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Selva Digital.

Publicado em: 02-09-2010 | Por: Lucimara A.Leandro | Em: Atualidades, Comportamento

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Segundo Baudrillard “Simular é fingir ter o que não se tem“. No entanto, simular não é tão fácil quanto parece (o próprio Baudrillard se vale de uma série de explicações para melhor esclarecer o que ele quis dizer com isso), pois “simular” nesse contexto não é “fingir”, vai muito além dessa idéia.

Por exemplo, você pode fingir que está doente para não ir ao trabalho, porém, isso não é simular. A simulação começa quando você passa a sentir os sintomas reais da falsa doença criada para faltar ao trabalho. E é nesse ponto que começa o problema, como o médico saberá se os relatos descritos pelo simulador são realmente uma doença verdadeira?

De fato ele não saberá. Há circunstâncias em que a simulação é tão bem realizada pelo simulador que ele mesmo perde a linha divisória entre o que é real ou não. É justamente isso o que propõe a teoria do simulacro. A realidade é uma farsa? Ou a farsa é tão real que tomou conta de nós? Em meio a essas idéias inicialmente sem nexo e contrapostas, a selva de concreto se rompe e se transforma em uma selva digital. Com base nesse paradigma (se assim podemos chamar as mudanças ocorridas nesse século), eis que surge um mundo a parte onde cada um se torna autor, personagem ou figurante do espetáculo.

Nesse mundo, fatos reais e fantasiosos se confundem, tudo pode ser manipulado, cada um tem em mãos o poder de fazer, desfazer e refazer o que convém. Todos têm seu “lugar ao sol”, com 15 segundos de fama garantidos a qualquer um que tenha uma webcam e um PC conectado a internet. Sabe o Zé da esquina? Em menos de meia hora pode virar celebridade. Desde que sua performance agrade aos usuários da rede. Para se manter informado você não precisa mais comprar um jornal ou assistir a um telejornal, a informação está ao alcance das mãos, basta abrir o notebook, smartphone, etc. Você não precisa mais fazer regime para aparecer magro na foto, basta dominar algumas técnicas de photoshop, e pronto, ter o corpo que sempre sonhou.

As imagens, as histórias, tudo pode ser forjado de uma maneira tão verdadeira que acaba virando uma hiper realidade, na qual as pessoas não sabem diferir a realidade da fantasia, uma passa a se misturar com a outra. Com isso, o mundo virtual que antes era  uma coisa a parte, passa a se relacionar com o homem e ambos tornam-se  parte um do outro. Surgem os ciberespaços( espaços não físicos construídos pelas redes digitais), nos quais a presença física do homem já não se faz necessária para haver comunicação.

E esse mundo cresce de maneira acelerada. A quantidade de informação produzida e ofertada é muito grande. O acesso é rápido, a informação está a disposição de todos, mas nós não damos conta de absorver como outrora. Para acompanhar todo esse processo é necessário deletar, pois, já não há espaço em nosso HD natural (nosso cérebro) para a infinidade de “conteúdos” ofertados. E isso gera um círculo vicioso. É preciso fazer um backup do que presta e salvar, e o supérfluo apenas excluir. Não há mais um aprofundamento da informação, as coisas e as pessoas passam a ser superficiais.

A humanidade passa a ser o espelho do que produz e recebe e, de tanto produzir e receber, pouco processa… E é nesse contexto caótico e nada perspicaz que surge uma nova organização da sociedade na qual falso e verdadeiro se fundem, na qual a quantidade tomou conta da qualidade e na qual o homem se encontra: perdido e achado. E dois mundos que antes eram distintos agora se apresentam como extensão um do outro, resta saber quem é quem nessa alucinação desestabilizada e estetizada da realidade”(BAUDRILLARD).

Por Lucimara Leandro

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Comentários (2)

Parabéns Lucimara!

Adorei seu artigo.
Você é uma pessoa de futuro, espero ver mais artigos seus aqui no blog!!!

Mais uma vez parabéns!

Concordo!

O artigo é muito bom!

Parabéns pelo seu talento

Abraços

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