Nova Vida
Publicado em: 27-08-2010 | Por: Ana Carolina Mascarenhas da Silva | Em: Atualidades, Comportamento
Tags:Atualidades, Reflexão
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É interessante como o mundo em que vivemos se esconde tanto através de discursos modernos, enquanto dá continuidade a um pensamento retrógrado. O reflexo disso eu encontro diariamente naqueles que são mais “vividos”, mas também nos que estão começando a vida, iniciando na arte de pensar criticamente e refletir. Incrível como conceitos que teoricamente busca-se apagar, são constantemente transmitidos ou pregados em simples conversas informais – momentos que indiretamente influenciam em larga escala a concepção de mundo das pessoas.
Numa aula sobre Imperialismo, percebi meus alunos argumentando sobre os costumes, ditos irracionais, dos povos africanos e asiáticos. Lembrei imediatamente de conversas aleatórias em casa em que ouvia esse mesmo discurso e questionava a validade dele. Como forma de apimentar a discussão, mostrei a eles um texto muito interessante que fala sobre uma tribo, os “Sonacirema”. Este texto está longe de ser inédito, mas funciona sempre. Após discutir a “irracionalidade” contida naquelas linhas, mostrei a eles o real significado do nome da tribo. Para quem não conhece, e vale muito a pena ler”, adianto que sonacirema é uma angrama para americanos. Uma lida mais atenta mostra que os costumes bizarros descritos, nada mais são do que uma descrição exagerada dos nossos próprios hábitos.
Obtive a reação que desejava: o silêncio contemplativo que se seguiu mostrava que estavam refletindo efetivamente sobre o texto. Começaram a surgir novos exemplos e alguns lembraram de ter lido sobre meninas muçulmanas que defendiam seu direito de usar o hijab (aquele véu que elas usam) por causa da sua simbologia para elas. Lembraram também de costumes nossos que costumam ser vistos com estranheza por pessoas de outras culturas.
A limitação das informações recebidas me deixou uma pouco triste. Quando se apresenta um novo ângulo, automaticamente eles se tornam mais pensativos e começam a rever seus conceitos. Afinal, não é tão difícil mudar a cabeça de alguém. Basta que ele esteja disponível a isso e que veja diferentes pontos de vista.
Por Ana Carolina Mascarenhas da Silva

















