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Diminuir o Abismo Social na Universidade Pública

Publicado em: 18-08-2010 | Por: Marcos Duarte | Em: Carreira, Educação, Mercado de trabalho

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A universidade pública tem um papel de fundamental importância na inclusão de alunos provenientes de escolas públicas e com menor poder aquisitivo numa formação acadêmica de qualidade. Pelo menos na teoria é assim, mas, na prática, os alunos provenientes de escolas particulares e com maior poder aquisitivo são os que desfrutam desse privilégio.

De tempos em tempos se discute a adoção do pagamento de mensalidades para os alunos que efetivamente podem pagar, mas é uma idéia de difícil aplicação, pois toda a mudança que venha contrariar privilégios, geralmente, acaba por não se consumar.

Isso ficou claro quando dá criação da cota racial. Gerou-se uma celeuma impressionante, provando que a maioria ainda está muito distante de entender que todos nós somos criados a partir do mesmo fluido universal e tirando a capa corpórea não temos cor, raça ou sexo.

No panorama que se apresenta hoje, infelizmente, os alunos que tem acesso a escolas particulares, cursinhos pré vestibulares e cursos de idiomas caros continuarão dominando as vagas das universidades públicas.

Talvez um caminho para reduzir esse abismo social seria a adoção da famosa máxima de Ruy Barbosa: “Tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades”.

As universidades públicas poderiam, no momento da inscrição para o vestibular, exigir que o candidato comprovasse se o mesmo é oriundo de escola pública ou particular e a partir daí determinar que 50% das vagas seriam preenchidas por alunos da escola pública e 50% das vagas por alunos da escola particular.

O efeito prático disso é que o aluno público compete contra aluno público e o particular contra particular. Portanto, num curso com 200 vagas os 100 melhores da disputa públicos versus públicos são selecionados e a mesma lógica valeria para os 100 melhores particulares. Com a adoção de algo parecido até mesmo essa questão da cota racial poderia ser revista.

O efeito psicológico da adoção de uma medida como essa para um aluno carente é, sem dúvida, o resgate da esperança. É vislumbrar a possibilidade de melhorar sua condição de vida e da família através de uma formação acadêmica de qualidade numa universidade renomada.

Por Marcos Duarte

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Comentários (2)

Adorei a matéria principalmente por que estou em uma faculdade estadual e entendo o que se passa na cabeça dos alunos no momento do vestibular.
No meu ver as medidas adotadas pelo governo tentam “tapar o sol com a peneira”, pois o problema principal não é ceder vagas a alunos das ecolas públicas ou aumentar a cota delas, mas sim capacitar esses alunos para que os mesmos possam prestar o vestibular e passar.
Tirar o direito do aluno de escola particular de não pagar pelo seu estudo universitário vai contra os direitos do indivíduo, alem do mais o dinheiro investido na universidades vem do imposto que todos pagam então de certa forma o aluno paga pelo seu estudo.
Nesse momento atual, pode ser até aceitavel aumentar as cotas, mas corre o risco de acomodar mais ainda os governantes, e como consequência o ensino médio e fundamental podem continuar estagnados. Pois é fato que o governo tem uma politica de não reprovar alunos das escolas públicas para que o mesmo tenha em mãos um diploma comprovando que concluio o ensino médio.
A solução de um problema é na maioria dos casos é atuar em sua origem e não em suas consequências.

@Danielle Coimbra – Danielle,

Muito obrigado pelos seus comentários. Concordo com as colocações que fez.

A melhor maneira de não precisarmos utilizar cotas ou outros tipos de artifícios de inclusão passa pela melhoria substancial da qualidade do ensino público, capacitando este aluno a disputar de igual para igual com o aluno da rede particular de ensino.

Enquanto esse horizonte ideal não se estabelece, a adoção de algum mecanismo provisório ou até mesmo de transição possa contribuir para reduzir um pouco essa lacuna.

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