E o Brasil, onde fica mesmo?
Publicado em: 27-07-2010 | Por: Marcel Henrique Tonel Soares | Em: Carreira, Comportamento, Cotidiano, Gerações, História, Política, Responsabilidade social
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Pelo preço de um pacote para o Nordeste fomos para Buenos Aires. Super valeu a pena!
Com esta frase encerrou-se a reportagem do Jornal da Globo sobre o gosto do brasileiro em viajar, e uma funcionária de uma agência de viagens ainda ajudou dizendo que “o brasileiro tomou gosto, aprendeu e agora que possui recursos está investindo nessa área”.
Em seguida compararam um pacote para um Resort no Nordeste a um final de semana em Paris. Ambos a R$8.000,00. Só esqueceram de dizer que neste pacote em Paris, provavelmente, não estão inclusas todas as refeições, nem as entradas nos museus, o deslocamento na cidade e coisas do gênero, já em um resort é o famoso all-included. É ÓBVIO que são duas viagens com fins diferentes, e é por isso mesmo que não é cabível uma comparação como a que foi feita. Até porque é perfeitamente possível viajar por valores bem inferiores aos que são divulgados pelas operadoras, mas isso é outra história.
Acredito piamente que conhecer novos lugares, novas pessoas, novas culturas é uma das formas mais prazerosas (e eficientes) de aprender e de evoluir, tanto na área pessoal como profissional. Até porque não acredito que seja possível separar as duas. Mas o que chama atenção é a realização pessoal (e as vezes orgulho) que os turistas brasileiros tem em divulgar que foram para o exterior. Mesmo que esse “exterior” seja mais próximo que uma viagem dentro do Brasil, que é o caso de São Paulo a Buenos Aires (2200km) e São Paulo a Fortaleza (3000km), como citou a entrevistada na reportagem exibida hoje. Se bem que acho que ela não parou para considerar isso no seu depoimento, ou realmente não sabe porque prefere destinos internacionais…
Realmente o que me chama atenção é o patriotismo exacerbado do povo brasileiro na época da copa e uma vontade enorme de viajar para o exterior na primeira oportunidade. Não é meio controverso? Imagino que ainda esteja muito claro na memória como a seleção argentina foi recebida após a derrota na copa. Foi enaltecida! Na Argentina o povo possui um amor que transborda e é perceptível assim que se cruza a primeira fronteira. As igrejas são decoradas com as cores da bandeira da Argentina e outros exemplos muito nítidos ao observador mais desatento.
Já no Brasil só vemos bandeiras pelas janelas em épocas de jogos. Assim como vimos poucos torcedores com camisetas de times que perderam na segunda-feira após aquela rodada do campeonato brasileiro. Não há moda de bom gosto com as cores do Brasil.
Fica a pergunta, será que brasileiros que não se orgulham DE VERDADE pelo país de origem vestem a camisa DE VERDADE como profissionais ou só trabalham durante a semana na frente do chefe?
Por Marcel Henrique Tonel Soares

















