Leilão de mão-de-obra
Publicado em: 06-07-2010 | Por: Marcel Henrique Tonel Soares | Em: Carreira, Influência das redes sociais, Mercado de trabalho, RH
Tags:pretensão salarial, proposta de trabalho, Recolocação, salário
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A economia brasileira está passando por um momento único, isso é óbvio. Nunca exportou-se tanto, nunca consumiu-se tanto, estamos exportando profissionais para o mundo inteiro e até emprestando dinheiro a credores centenários. São inúmeros os indícios dessa evolução.
Bom, isso pode ser devido ao amadurecimento do nosso mercado, das políticas públicas ou um simples “golpe de sorte” para os mais céticos com relação ao nosso governo atual. Diante desse cenário tão favorável a nossa economia é de se esperar que haja uma valorização do capital intelectual, certo? Errado! O que vemos no mercado é quase uma prostituição entre vagas e profissionais disponíveis.
Participo de alguns fóruns profissionais e de outros apenas com a publicação de vagas e o assunto que mais lota nossas caixas de emails não é sobre soluções inovadoras, compartilhamento de problemas, ou divulgação de cursos. O assunto mais em voga é sobre os absurdos oferecidos a profissionais de alto gabarito, ou ainda o pré-requisito PRETENSÃO SALARIAL.
Com a facilidade de divulgar vagas que temos hoje – com apenas um email é possível atingir milhares de pessoas através dos grupos específicos do Yahoo ou do Google, por exemplo – imagino que os os profissionais de RH devem estar tendo muito trabalho para conseguir identificar o “currículo” que mais se enquadra na vaga ou na empresa proponente, tamanho o volume de profissionais disponíveis no mercado.
Freqüentemente recebemos vagas necessitando de profissionais com fluência em inglês, sólidas experiências em determinados assuntos, certificações que só podem ser alcançadas pagando caro por cursos e pela oportunidade de realizarem as provas em instituições internacionais, e ainda assim podem ser reprovados, e no final do anúncio temos a frase clássica: “Salário de R$1.200,00 a R$1.800,00”. Ou ainda ocorre o famoso leilão de mão de obra, onde é necessário encaminhar o currículo com a pretensão salarial. O ABSURDO é quando essa pretensão salarial pede para ser colocada no campo Assunto do email.
Será que o responsável pelo anúncio sabe quanto custa ter fluência em inglês? Sabe quanto custa uma certificação como o PMP, por exemplo? Sabe o que pode custar a contratação de um profissional “mais barato” ao invés de um “mais caro”?
Analisando o ramo da engenharia, recentemente tivemos dois problemas públicos relacionados ao leilão de serviços técnicos altamente qualificados. Um foi o caso da escavação do metrô e o outro o viaduto que caiu. Isso definitivamente não teria ocorrido se houvessem profissionais com mais experiência ocupando os cargos de tomada de decisão. Desculpe, mas não há NADA que mostre que não foi falha humana em ambos os casos. Isso é o que chega ao público em geral, sem contar os inúmeros acontecimentos diários na construção de casas, prédios, desenvolvimento de produtos, contato com cliente que saem mais caro porque a escolha do profissional foi pautada pelo quesito preço, e não técnica como deveria ter sido.
Esse problema não é só nessa área, temos vagas querendo profissionais que precisam tomar algum tipo de decisão, ou vender algum produto com um salário de menos de R$1.000,00. As vezes bem menos do que isso… Ontem mesmo vi uma vaga para estagiário num órgão do governo com uma bolsa de R$267,00. Como diz um amigo, “Isso chega a ofender!”
É comum nas discussões as responsabilidades recaírem sobre os profissionais de RH, mas não acho que as responsabilidades sejam somente deles, afinal muitos ganham sobre as recolocações, ou seja, se recolocarem um profissional que ganha R$5.000,00 o bônus é superior a recolocação de um profissional que ganha R$1.000,00. O problema (ou a solução) vai além de RH x Profissional a ser recolocado. As instituições de classe deveriam intervir quando alguma vaga é divulgada propondo pagar menos que piso salarial da categoria.
As empresas contratantes devem ser informadas que o momento da economia é outro, e que TALVEZ a contratação de um profissional com mais experiência (pagando por isso) possa ser a solução para seus problemas, ou pelo menos o caminho da felicidade. Em tempo, os profissionais de RH devem entender o âmbito da expressão Recursos Humanos e, por fim, os profissionais em busca de novas oportunidades devem ter cautela na hora de aceitar propostas quase indecorosas de trabalho.
Por Marcel Henrique Tonel Soares

















