A importância da família na formação do profissional
Publicado em: 06-05-2010 | Por: Rodrigo Oliveira | Em: Atualidades, Comportamento, Cotidiano, Gerações
Tags:Família, Relações, Trabalho
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Como o berço faz total diferença no sucesso de algumas pessoas, eu digo isso porque as pessoas que vem de famílias de classe alta, onde há profissionais com um networking bastante amplo, continuam a linhagem e se destacam no mercado com mais facilidade, o que não acontece muitas vezes com pessoas de famílias mais humildes.
Muitos jovens, já nasceram com um roteiro desenhado pelos pais, e o mínimo que eles fizeram foi seguir os passos do script, que já estava pronto, e consequentemente se tornaram mais competitivos, como: “O que eu devo fazer agora papai, ir morar na França e fazer faculdade por lá, ou então continuar no Brasil e estudar na mais-cara-ou-melhor-faculdade e ficar perto dos meus amigos brasileiros ?” Detalhe, já estava tudo pago, mesmo antes de nascerem…
Infelizmente o mercado de trabalho não é nenhuma obra social ou instuição de caridade, e quer sim os melhores profissionais. Porém, um indivíduo que teve tudo nas mãos, prontinho, antes mesmo de ser gerado, não pode ser comparado a um pobre de família humilde do interior, que se esforçou para conseguir uma vaga em uma universidade pública, ou uma bolsa de estudos por desempenho em uma instituição privada. E na maioria das vezes, precisam trabalhar durante todo o período do curso, para ter condições de se manter e/ou ajudar a família finaceiramente.
Nesse caso, com certeza as barreiras foram bem maiores, e o estudante teve muito mais garra para ir além, e sair do círculo onde vivia, já que nas comunidades mais simples, a grande maioria não possui curso superior, porque o acesso à educação é bem mais complicado, pois é necessário trabalhar desde jovem para ajudar com as despesas da casa. Outro fator é a mentalidade não competitiva, já que pessoas mais simples, muitas vezes não conseguem enxergar a necessidade de estudar para ter um futuro mais digno ou de se preparar para o mercado de trabalho, e dessa forma acabam desestimulando seus filhos.
O que há de diferente nessas famílias, é que, mesmo com toda a ignorância, e talvez a falta de ambição, são indivíduos com valores reforçados, pautados pelo amor, carinho, honestidade, honra, dignidade e princípios éticos. Através da simplicidade e também valores religiosos, consegue-se notar a bondade e a generosidade como características relevantes. O que muitas vezes não acontece com as famílias mais abastadas. Não quero generalizar, mas tentem entender a sociedade, e verão que isso faz muito sentido, uma vez que os menores níveis de inadimplência do consumidor estão nas classes C,D e E.
Nada pode substituir uma criação rodeada de afeto, integridade e valores sólidos em uma sociedade que está cada dia mais capitalista e selvagem se preocupando mais com o dinheiro do que qualquer outra coisa. O que acontece com maior frequência nas classes altas, onde a riqueza significa mais do que a própria atenção dada aos filhos, é a inversão de valores, pois acaba sendo mais importante oferecer ao filho um curso na Alemanha do que o amor, que é insubstituível.
As línguas e os cursos no exterior, ainda podemos aprender e fazê-los, mas os valores e princípios ensinados pelos nossos pais durante a nossa formação não tem preço. E não há como voltar atrás, isso formou o nosso caráter como pessoas e temos muito mais a oferecer, já que é um bem único que não se pode pagar.
Por Rodrigo Oliveira


















Quem participa/frenquenta um grupo de jovens consegue visualisar bem o que seu post propõe, Rodrigo.
Valores éticos + educação – não aquela que aprendemos na escola, mas aquela que vem de casa, podem levar um indivíduo muitos passos à frente.
Abraços,
MAH
Ótimo texto!
Faz todo o sentido!
Agora, só o fato de termos essa visão já nos diz que temos uma grande responsabilidade para fazer algo. Seja em voluntariado, seja sendo um exemplo de pais, etc.
Abraço,
Pablo Goulart.
Marina e Paulo
Fico muito feliz que gostaram do texto e concordam comigo. Realmente esses valores fazem a diferença e é isso que temos que valorizar mais do que tudo.
Muito Obrigado!
Abraços,
Rodrigo
Você tocou em pontos espinhosos, Rodrigo.
Parabéns pela iniciativa. É sempre bom falar de pólos, aparentemente, opostos.
Queria complementar, entretanto, suas idéias com um exemplo: o exemplo da minha vida.
Venho de uma cidadezinha com menos de quinze mil habitantes, último de dez filhos, pais analfabetos. Tendo que trabalhar desde os nove para manter a escola e ajudar na renda familiar, cresci já aos dez anos.
Bolsista no ensino médio, bolsista na faculdade. Ingresso no MBA e aos arrastões vou levando os meus sonhos à frente. Cá estou hoje em São Paulo.
A história comum de milhões de brasileiros, não?
O ponto central, creio, é que não pode existir um discurso enrijecido entre o “eles” e o “nós”: Ricos x pobres. Todos buscamos nosso lugar ao sol.
Lembro agora de uma música que diz: ‘ cada um sabe a dor e delícia de ser o que é”. Mesmo os bem nascidos que puderam ir estudar na Europa ou fazer a melhor faculdade no Brasil tem que se mostrar tanto quanto alguém que ao trancos e barrancos fez uma faculdade de terceira categoria.
Já mudou muito a realidade em se tratando de atração e retenção de talentos: há uma década, mais ou menos, era condição sine qua non ser formado em uma das universidades referenciadas para conseguir uma vaga em uma multinacional. Isso ainda existe? Sim. Basta ver algumas condições para alguma vaga de trainee. Mas vem se escasseando dia após dia.
O PLUS, e as empresas de RH e grandes companhias já perceberam, está no currículo oculto, naquelas caraterísticas inatas e também adquiridas a partir das experiências pessoais e intransferíveis. Justamente os valores que você citou: força de vontade, liderança inata, empreendedorismo, criatividade. O networking referenciado dos bem-nascidos, podemos conquistá-los por nossos próprios méritos.
Não estamos mais na idade média em que você nascia vassalo e morria vassalo. A oportunidade de mudar a nossa realidade cabe a nós.
Ao longo da vida, graças ao conjunto de acontecimentos diários e à personalidade pessoal de cada um, somos modificados e elementos modificadores.
Os valores e o carinho que você tão bem pontuou são importantíssimos. Tão importante também ter valores pontuados no fazer o bem e ser o melhor, é a vontade de tomar as rédeas da sua própria história e se tornar protagonista e não mero coadjuvante.
Grande abraço e mais uma vez parabéns.
Gostei muito da sua história Felipe. Você é o tipo de pessoa, que sem sombra de dúvidas será muito bem sucedido na vida. Porque é batalhador e faz as coisas acontecerem para você! Parabéns !!!
Fico muito feliz em receber seu comentário e saber que é uma realidade nítida em nossa sociedade o tema abordado no artigo. Minha história se assemelha a sua em alguns pontos, e é muito bom poder compartilhar opiniões.
Agora vamos continuar torcendo para que as grandes empresas de RH enxerguem ainda mais as características inatas dos candidatos.
Obrigado pela contribuição.
Rodrigo.