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Um ano de México

Publicado em: 27-04-2010 | Por: Daniel Frasson Costa | Em: Atualidades, Comportamento, História

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Caminhar pelas ruas de Tenochtilán, a antiga cidade asteca, é uma experiência surreal: A cidade do México, hoje também chamada de Distrito Federal, com mais de 22 milhões de habitantes, é um verdadeiro caldeirão de cultura, formado por uma rica mistura de história, artes e sabores. Cidade onde pirâmides milenares, construções coloniais, igrejas e arranha-céus de vidro e aço dividem o mesmo espaço, fazendo que a cidade cresça e viva como testemunha do tempo, uma verdadeira guardiã de memórias.
Se a cidade do México pudesse falar, certamente nos contaria sobre a chegada dos espanhóis em 1521, e seu espanto ao defrontar com a cidade flutuante, construída pelos Astecas sobre o lago Texcoco. Em seguida falaria sobre a brutalidade e intolerância espanhola durante os quase 300 anos de colonização, quando os Astecas, bem como sua cultura e templos foram praticamente dizimados.
Continuaria falando, com orgulho, da atuação heróica de Miguel Hidalgo em 1810 brindando ao povo Mexicano a independência tão sonhada da coroa espanhola, ou, em seguida, da chegada em 1914, de Pancho Villa e Zapata, junto com milhares de outros homens, á pé ou á cavalo durante a revolução mexicana e seus esforços para formar um Estado mais justo e prospero.
Sem dúvida, a Cidade do México também nos falaria de futebol: Lembraria, em alto e bom som, da atuação de Pelé, na copa do mundo 1970, quando foi coroado Rei do Futebol, para em seguida, murmurar nos mínimos detalhes, “A Mão de Deus”, famigerado gol feito por Maradona, utilizando as mãos, na copa do Mundo de 1986.
Finalmente, se pudesse falar, a Cidade do México lembraria com tristeza os milhares de filhos que perdeu, durante a trágica manhã de 19 de setembro de 1985, quando um forte terremoto sacudiu suas terras, e fez ruir milhares de prédios e edificações, levando nesse instante um pouco da sua história.
Apesar dos graves problemas enfrentados, com um nível de miséria alarmante, tráfegos intensos e caóticos, estatísticas de desemprego e insegurança que não param de crescer, a população desta cidade dificilmente imagina uma vida fora daqui: há algo sobre esta cidade que a torna única. Talvez o sabor dos tacos, tamales, quesadillas e tequila; talvez o exótico sabor do guacamole ou das suas pimentas. Talvez o colorido estampado nas roupas e nos sorrisos mexicanos.
Eu não sei.
O certo é que para os próximos anos, o governo mexicano enfrentará o desafio de não deixar estar cidade sucumbir em problemas socioambientais, mantendo sua magia e espírito milenares, e ainda, melhorando a qualidade de vida de seus habitantes, após um século de crescimento acelerado. Eu, por uns instantes, fui testemunha de uma cidade e suas memórias.
¡Arriba México!

Por Daniel Frasson Costa

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