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A difícil adaptação dos Y no funcionalismo público baby boomer

Publicado em: 15-03-2010 | Por: Natalia Assis | Em: Carreira, Comportamento, Gerações

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Ser jovem, inexperiente, com tantas decisões a tomar e caminhos a seguir já não é fácil. Ser Y então, nem se fala.

Vivemos em um mundo tomado por baby boomers e veteranos, que ainda (e espero que não por muito mais tempo) estão no controle na maioria dos setores.

No entanto, creio que nada mais gritante do que o setor público brasileiro para demonstrar isso. Além do comum conflito de idéias, ambições, metas e novas formas de organizar e otimizar o trabalho, a maioria das pessoas segue uma linha de estagnação e conformismo.

Digo a maioria, é claro, afinal nunca se deve generalizar. Mais já são dois itens a mais que os Y não conhecem e nem querem conhecer. Um jovem Y não se conforma com as situações que são a ele impostas, está sempre buscando melhorias e otimização de processos, está sempre a procura de algo a mais.

Estagnação então, é uma palavra que passa longe, já que uma das características de nossa geração é o dinamismo. Talvez, por essas características diferenciadas é que não sejam muito bem aceitos por boomers. Então, como inserir-se nesse nicho de mercado sem causar uma guerra? Confesso que não é fácil. Acredito que para profissionais de administração, o uso da diplomacia já faz parte do cotidiano, e é essencial nesse caso.

Embora ás vezes isso seja difícil quando os nervos estão à flor da pele, é melhor agir desta maneira do que explodir e correr o risco de ser demitido – no caso de ser um profissional terceirizado -, ou exonerado – no caso de funcionalismo público – o que é raro de se acontecer, mas acontece. Então, a favor do bom relacionamento entre colegas de trabalho e a manutenção do emprego, siga essas dicas, que funcionam para mim e podem ajudar na minimalização dos conflitos:

  • Fale sempre menos do que pensa. A mente de um Y borbulha de idéias, opiniões e pensamentos, que nem sempre (ou quase sempre) estão de acordo com os demais a sua volta. Então, controle-se e guarde as opiniões para outros Y, blogs, twitter e etc;
  • Fuja das panelinhas. O conselho é antigo, mas sempre válido. Resista a grupinhos e fofoquinhas, que de uma hora para outra podem se voltar contra você. Afinal, quem fala de um…pode falar de todos!;
  • Escute os desabafos e lamúrias, mas evite dar conselhos, a não ser que você confie e seja alguém muito próximo a você. Como os pensamentos são diferentes, é muito provável que ao invés de ajudar, a pessoa se sinta magoada, ou até mesmo enfurecida.
  • Seja um bom profissional. Funcionários públicos em geral tem má fama, de serem desorganizados, trabalharem pouco e serem pouco comprometidos. Mas lembre-se que você é um Y, e portanto, diferente. Além do que quanto menos motivos para gerar conflitos, melhor será a convivência.

Dance conforme a música. Mas não deixe que isso interfira em seus valores pessoais. Se isso acontecer, é hora de partir para outra, procurar algo que tenha mais a ver com você e que você goste. Algo mais Y.

Por Natalia de Assis Gonçalves

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Comentários (8)

A geração Y vai chegar ao comando das corporações muito rapidamente, mas quando isso acontecer já haverá uma geração pós Y querendo tomar o lugar dos Y’s. Os Y’s são filhos dos X’s, que dedicaram boa parte da sua vida em dar instrução e educação aos seus descendentes. Não fosse a geração X os Y’s não estariam tão bem preparados para ingressar no mercado de trabalho.
Mas não podemos esquecer que uma empresa não sobrevive só com Y’s, até as empresas de alta tecnologia precisam do X’s, pois ele precisam manter os Y’s no foco.
Os Y’s além de tudo não são fiéis, vivem flertando com todas as outras empresas e não entendem muito bem o que é hierarquia e não confiam na experiência. Tenho visto muito essas atitudes em sala de aula. Mas o mundo é dos Y’s mesmo, até uma nova geração surgir…

@Paolo Romano – Obrigada pelo comentário Paolo! O conflito de gerações sempre vai existir, o que deve prevalecer sempre é o respeito a diferentes idéias e opiniões.Obrigada!

Belíssimo post ! Concordo em todos os gêneros e com certeza existe uma razão na linha de pensamento do Paolo e é exatamente este conflito o mais interessante. Com certeza a geração Y muitas vezes precisam de tutores e grandes mestres. Não perder o foco, tem uma direção e aprender com quem já tombou várias vezes. Mas um mestre neste porte, é dificil, muito dificil. A grande maioria se sente ameaçado e não é a favor da comunhão das experiência para gerar um valor maior.
Discordo do ponto em que não somos fiéis. Este conceito vai se acabar com a nova geração, aonde o valor maior está no desenvolvimento pessoal e profissional e não em uma carreira de mais de 10 anos em uma empresa. A VOCÊ S/A fala muito em como o RH está mudando para lidar com este novo perfil de encarar a carreira, não questionando se é bom ou ruim, e sim entendendo a nova tendência e buscando extrair o melhor dela.
Excelente post, abç

@Ricardo Barros – Obrigada pelo apoio Ricardo! Concordo com você, a geração Y não é infiel, apenas tem uma linha de pensamento de desenvolvimento pessoal diferenciada! Bjos!

Naty, eu já fui geração Y, formação acadêmica de 1a. linha, preparado, aos 21 anos trabalhava em uma multi nacional, aos 22 tive minha primeira promoção, aos 23 gerenciava uma unidade da empresa em outra cidade. Minha carreira na empresa estava apenas começando e eu com 23 anos tinha uma posição invejável que chamava atenção pelos resultados que atingia e da forma como vinha gerindo minha região.
Fui procurado por outras empresas e acabei cedendo ao canto da sereia. Estamos falando de um período de crescimento como esse país nunca havia vivido, as empresas cresciam 40% por cento ao ano. E eu um jovem executivo, com vontade, instrução e experiência passei por algumas outras empresas, sem nunca criar raízes, pois estava interessado no meu desenvolvimento, e a empresa pouco importava se era x,y ou z. Mas como tudo muda, o mercado mudou e as propostas diminuíram, e os recrutadores questionavam o fato de eu ter passado por muitas empresas, em pouco tempo.
Hoje posso dizer que sou um profissional da geração x,y e z, porque não fiquei parado no tempo, me aprimorei, estudei, e agora ensino, dou aulas para a geração y, cada dia me surpreendo mais com as pessoas que passam pelas minhas aulas, mas ainda falta algo a essa geração e isso só virá com a maturidade, tento passar um pouco do que vivi para esses alunos, mas como todos bom geração y eles dizem eu sei, balançam a cabeça e saem andando.
Parabéns pelo seu artigo. Gostaria de muitas alunas com a sua facilidade de expressão.

Paolo
é muito bom poder ouvir relatos de pessoas dinâmicas, que entendem o que falamos porque já passaram por isso. O que nós precisamos é disso, muito aprendizado e pessoas com vontade de ensinar, que são tão raras como aquelas com vontade de aprender. Embora, os Y tenham suas qualidades, tem também seus defeitos e concordo quando diz que somente a maturidade – e experiência – irão complementá-los. Obrigada, comentários como esse com certeza são fundamentais para meu desenvolvimento.

Natalia, parabéns pela postagem. Ótima dica para os jovens que enfrentam o mercado de trabalho com pessoas com mais tempo de trabalho que elas. Espero que um consenso seja a forma mais adequada para que todos tenhamos um bom ambiente de trabalho sempre. Sei pois estou entrando numa fase assim, não sei mais se sou das antigas ou das novas… mas enfim, sempre caminhando e ampliando horizontes!

@Michele Vittoretti – Michele, obrigada pelo comentário!
Nós descobrimos quem somos por nossas características e pensamentos. Obrigada!!

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