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Religião, critério de desempate?

Publicado em: 22-02-2010 | Por: Indira Hansen Ferreira | Em: Carreira, Comportamento, Cotidiano

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Parece um absurdo, até encontrar um anúncio assim:

“Auxiliar Administrativo, de 25 a 35 anos (critério diferente!!!), casada, com filhos (nossa, muito estranho!!!), preferencialmente evangélica e”… Preferencialmente evangélica??? Desde quando a religião é critério de desempate numa seleção?

Depois de ler esse anúncio entre vários outros que vejo todos os dias, comecei a pensar quantas vezes vi a religião dentro das empresas, de forma direta. Meu marido já trabalhou numa empresa onde os donos eram evangélicos, e as sextas-feiras o expediente encerrava mais cedo para que acontecesse um culto. Mas nunca soube que os evangélicos tivessem preferência na seleção.

No meu emprego, quando preenchi a ficha de cadastro, havia um questionamento sobre a religião que seguíamos. Pergunto-me hoje o quanto colocar “não tenho religião” poderia ter afetado o recrutamento de alguém numa empresa fundada por um padre, onde algumas datas religiosas são respeitadas como feriados e acontecem missas ocasionalmente.

Fato é que a maioria dos jovens que conheço não segue uma religião, e muitos abertamente não acreditam em nenhuma fé ou na existência de um ser superior. Não sei se para profissionais de outras áreas é fácil perceber, mas na faculdade estudei quanto as religiões estão ligadas às culturas organizacionais, e como até hoje padrões de diferentes crenças afetam a forma como as empresas em que trabalhamos são conduzidas.

Como, então, os jovens cada vez mais distanciados das doutrinas religiosas conseguem lidar com este aspecto dentro das empresas que diretamente – como a que prefere evangélicos ou como a minha que tem missas – ou mesmo de forma indireta, como nas estruturas hierárquicas rígidas como a igreja? Será que é fácil para um Y perceber que este ou aquele comportamento dos nossos líderes está diretamente ligado à como as religiões afetaram a cultura da organização da qual fazem parte, além de sua própria conduta? E será que eles conseguem aceitar isso tranquilamente, já que é comum questionarmos a autoridade e a forma de comando, mas não a religião, que entre os brasileiros ainda é tabu?

É difícil saber qual é a reação das pessoas ao tocar num tema como a religião. No blog da Foco Talentos  recentemente vi um post sobre se é interessante tocar na sua religião na entrevista… Mas e se eles tocarem?

Ficam dúvidas, já que em mim ficou apenas uma ponta de decepção, de saber que ainda hoje, as pessoas podem ser julgadas e escolhidas por aquilo em que têm fé e não em sua capacidade, como se seu time ou o partido político fossem também critério de desempate, que apesar de serem escolhas não tão profundas, são apenas isso, escolhas.

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Comentários (1)

Namorei um evangélica. Num determinado momento ela entendeu que Jesus era mais importante que eu. Talvez isso explique a preferência por evangélicos no anúncio mencionado.

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