Saber onde é o seu lugar
Publicado em: 10-02-2010 | Por: Viviane Nobre | Em: Comportamento, Comunicação, Cotidiano, Educação, Política
Tags:Brasil, Comportamento
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Semestre passado, eu aprendi que lugar onde se vive é tudo aquilo que você conserva para si e para os outros usufruírem. Mas para o brasileiro, isso não existe. E, repetindo palavras do meu querido professor João Amorim, lugar não é só a sua casa, não é só a balada que você vai com seus amigos, seu círculo de amigos. O brasileiro, portanto, só tem um espaço territorial chamado Brasil, onde vivem e exploram o máximo que podem em busca de suas necessidades, não um lugar a cuidar e a preservar para o futuro.
Lugar começa quando você se reconhece como habitante daquele espaço, como, no mínimo, conservador daquele espaço (porque proteger e não usufruir, convenhamos, é difícil). E não só isso; lugar começa quando você reconhece OS OUTROS como habitantes iguais e de mesma capacidade… Mas quem disse que conseguimos? Quem disse que, quando vamos ao exterior, lembramos do monumento às bandeiras, das cataratas do Iguaçu, e temos saudade? Não… Nós temos saudade da feijoada, do suco de laranja forte, do maracujá, do clima. O clima, até que pode ser considerado um fator para se definir o Brasil como lugar. Mas é só. Você se lembra de coisas que a sua infância te revelou, não o que você construiu ao longo da vida. Não é qualquer feijoada que presta; é aquela que a sua avó fazia/faz.
Hoje, eu tomei mais algumas pauladas. Não muitas, já que muito eu já havia aprendido com outros dois caríssimos professores de colegial, Carlos Rogério e Rodrigo Ferreira Pinheiro, mas o suficiente para me machucar. Não porque eu não faço, mas porque eu faço, mas talvez não o suficiente para ter mudanças. A aula hoje foi sobre Meio Ambiente. E acabou se tornando uma bronca, não só sobre isso, mas sobre a preservação de sua própria integridade.
Não se existe mais tempo. Não porque não se pode, porque a vida é corrida, mas sim porque não se percebe o quão bem organizada sua vida pode ficar para se fazer tudo o que quer. A vida não é curta. Nós é que não sabemos aproveitar os momentos. Nós que não sabemos tirar uma hora da semana para sentar embaixo de uma árvore e ler, escrever, tecer, desenhar, cantar, enfim, qualquer hobby.
Não ocasionamos efeitos lúdicos na nossa vida, efeitos que nos fazem transpor nossa criatividade. Talvez por isso, trabalhar na criação de uma agência de publicidade seja tão prazeroso, apesar de cansativo, apesar de ser trabalho.
Aliás, já parou para pensar por que você não gosta de trabalhar?
Porque não dá prazer. Porque é tudo robotizado, tudo decorado, nada de criativo, inovador, digno de se respirar fundo e falar “ótimo, aqui é o meu lugar!”. É, lugar. Olha a palavra aí de novo. O mesmo ocorre com a faculdade, ou a escola.
Aprendi hoje, pela mesma pessoa, que “aluno” significa alguém sem luz. E esse alguém sem luz vai buscar a luz do conhecimento na escola. Mas quem gosta de escola?
Eu sou alguém que gosta, apesar de ninguém acreditar. Escola, para mim, deveria ser um lugar de livre transitação; vai quem quer. E não tem provas, tem apenas diálogos.
Apenas, talvez, matérias técnicas, como matemática e o resto das exatas, teria prova. Eu não sei de onde veio o meu gosto por estudos, mas eu sei que gosto e faço valer a pena nessas aulas.
Estou escrevendo aqui, inclusive, para não me esquecer do que foi dito hoje, para ler aqui, daqui alguns anos, e ver que alguma coisa eu consegui mudar. Eu sou sim alguém com luz, graças a esses professores alternativos que, apesar de viverem no sistema maldito, lutam contra ele. E eu quero ser alguém assim também. Eu me encontro nos padrões que ele disse hoje. Que ele sempre diz. Alguém que gosta de estudar, que tem seus hobbys, seus lapsos de carpe diem, que pensa sobre quem é, que faz as coisas porque gosta, não porque é obrigada, que olha para as coisas e pensa para quê elas foram feitas, não apenas para que as usa, que olha para o mundo e deseja mudá-lo ou aperfeiçoá-lo, que olha para o país e fala que é sim o seu lugar e quer ensinar os outros a ver isso, que olha para as pessoas da mesma forma, sem preconceitos ou discriminação.
Não digo que sou certa em tudo, mas eu gosto de perceber quando estou certa em algo para poder passar essa verdade a alguém.
Eu só espero que um dia mais pessoas me escutem e eu possa ter seguidores para ouvirem o que tenho a dizer. Por hoje, ao menos, a mensagem que deixo para todos é simples:
Procurem o seu lugar na vida.
Por Viviane Nobre


















Muito orgulho de minha imootuca!!! *_______________*