China X EUA: Estamos chegando a um novo marco histórico?
Publicado em: 09-02-2010 | Por: Karen Quiroga | Em: Atualidades, História, Política
Tags:China, EUA, História
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Ao longo de toda a história vimos impérios caírem e novas cidades tomarem o domínio do chamado “mundo conhecido”.
Após as grandes navegações e a ascensão dos países pioneiros nessa arte (Holanda, Inglaterra, França, Portugal e Espanha) o domínio passou a ser a principal arma para consolidar o poder e a influência sobre o mundo. Nesse cenário dado a estabilidade governamental e o poder da Revolução Industiral, a Inglaterra assumiu a ponta e como credora do mundo reinou sobre ele por longos séculos até que, com a Segunda Guerra Mundial veio à falência e, sem dinheiro, teve que ceder aos Estados Unidos que, usando sua economia industrial em ascensão, o fordismo e o ideal de seu povo assumiram o mundo às margens da revolução capitalista pronta para ditar “as regras”.
Os Estados Unidos vêm sendo o “termômetro” do mundo desde que venceu a Segunda Guerra Mundial, apesar de uma seqüência de erros e poder desenfreado controlou um sistema a beira de um colapso, passou por crises e guerras, mas se manteve firme até pouco tempo atrás, devido ao “bum” da China, que com sede de poder e crescimento econômico começou a assombrar o mundo com suas atitudes, em parte eficazes e em outras cruel, demonstrando uma nova face de poder.
O que dizer então, ao vermos que em 2010 a China terá perspectiva de crescimento de 9,1% enquanto o Japão, que mal sobreviveu a crise de 2009, terá perspectiva de crescimento de apenas 1,7% ? Segundo dados do Banco Mundial, a China será a segunda maior economia do mundo em 2010 e, ainda, corre o risco de derrubar os Estados Unidos e tornar-se a nação mais forte do mundo. Poderemos estar presenciando um fato que diverge de toda a história global, a época em que o dinheiro pode não ser mais a moeda “mais forte”, mas sim, a ética e a confiança, que segue as cegas nesse mundo instável.
Por que por em pauta esse assunto?
Os Estados Unidos, além de ser um país nacionalista e tradicional é acima de tudo capitalista, apesar de ser um país que impõe ordens a outros e que invade e guerreia com aqueles que ferem a sua imagem é o pilar de um sistema mundial que prega a liberdade e a democracia, leis que regem o mundo desde a criação das Nações Unidas e outros órgãos que desejam um mundo mais justo. Estes órgãos são a grande arma contra países como a própria China, Cuba, Coréia do Norte, Venezuela, Bolívia e Irã e passam a imagem de única nação que pode “manter” um novo “equilibro do terror” sem muito esforço, apenas usando de diplomacia e um pulso forte na hora certa. Não é de se assustar que o orçamento da união dos Estados Unidos para o ano de 2010 seja de 3,8 trilhões, possuem as melhores faculdades e um dos melhores sistemas de ensino, a força dos EUA vêm das bases populacionais, de políticas internas e de boas marionetes políticas.
Já a China é um país fechado, com pouca abertura política (o que facilitaria negociações), tem um histórico de país tirano com o seu povo, apenas possui canais estatais, reprime todo tipo de mídia, possui um único partido, controla os meios de comunicações, seu povo tem baixa escolaridade, sofre com problemas populacionais e estruturais, além de outros. Mas com reservas de 2,2 trilhões de dólares (a maior do mundo) e uma expansão violenta pode gerar uma certa apreensão de todos, se este país derrubar o poderio estadunidense, o mundo poderá regredir ao tempo em que cada um dita suas próprias regras e ninguém guerrearia com ninguém por medo de não saber o que os outros escondem.
O cenário parece pessimista, mas na realidade porá a prova um novo conceito de poder, acredito que a união dos países irá criar uma nova ordem, onde o dinheiro não mais representará poder, mas sim a ética e a proteção mútua das pessoas e das nações, trazendo uma nova forma de pensar. Poderá realmente haver uma nova potência, mas muito possivelmente os países não irão aceitar por a prova séculos de alianças e trabalho árduo, investimento em expansões, políticas internacionais para entregá-los de forma aberta para a China, poderemos então encarar pela primeira vez na história o poder econômico como potência mas também o poder político e ético também a frente, ligando-se por elos diferentes, elos de união e proteção.
Sabemos que tudo aquilo que vemos na China não é realmente a China, tudo aquilo que falamos dos EUA também não é realmente os EUA, assistimos a cada atitude de cada país com apreensão porque não possuímos controle sob tudo aquilo que criamos, como exemplo do Irã que desafia a ordem mundial com enriquecimento de urânio, também não temos força para impor um novo país com uma nova ordem face a comunidade internacional, mas sabemos que o mundo nunca respirou de forma tão fraternal como está sendo agora.
Frente tudo o discutido acima, seremos capazes de entregar tudo ao incerto?
Não, muito provavelmente não, mas vale lembrar que não sabemos a próxima curva do rio, mas sabemos o que é a paz relativa, não absoluta e não vale a pena mexer com “time que já está ganhando”, antes os EUA a frente do que a China em nosso encalço, agora apenas deveremos esperar pelo tempo, um novo tempo, e que assim seja.
Por Karen Quiroga


















Karen; o artigo é interessante, mas registro que como vc bem coloca nosso mundo parece ser bipolar e não unipolar, nos parece que a China certamente será a potência do próximo século, não apenas pelo seu poderio econômico, mas pela voracidade de sua produção e expansão econômica, o que não parece se concretizar no caso norte-americano, que vêm a cada dia sua zona de influência e satélites se reduzirem. No caso da China há o problema de Taiwan e as terríveis dissensões entre suas etnias que não são propagadas no ocidente. Gostei do artigo prq vc bem coloca uma comunhão de poderes no mundo capitalista. Tbm participo dessa crença, creio ser impossível para uma só Nação guiar e trilhar a liderança mundial nos dias atuais. Bom artigo. Parabéns.
Elson
Muito bem ressaltado o seu comentário sobre Taiwan e a falta de interesse ou até, a não divulgação dessas guerras étnicas pela mídia que também trazem a tona novos tipos de realidades e provam que está realmente havendo uma mudança neste país, tanto com o acesso a internet como a livros, melhores escolas e professores e a vontade de ser “livre” desse povo.
Estamos passando por uma nova transição que todos desejamos ser passiva e que realmente traga um novo modo de pensar e de compartilhar ideais e poderes, eu, como você, acreditamos que não mais será possível dominar pelo dinheiro e por manobras políticas, se a China vier a assumir a ponta na tabela de países mais ricos, muito provavelmente passaremos por uma revolução cultural e fora dos padrões, como deixei claro na minha exposição, vamos aguardar para ver como será essa nova comunhão de poderes. Obrigada por comentar, volte sempre!
Karen Quiroga
Uma disputa bipolar ferrenha como na passada guerra fria parece distante de acontecer neste século, talvez o dominio chines se de pelo cansaco do gigante EUA, que aos poucos talvez ceda parte do imperio capitalista para a potencia oriental. Contudo como dito no artigo, a China por ser um pais fechado, quando se ver no poder pode, alem do poder economico, impor sua cultura e politica ao mundo.
So para concluir acredito que os grandes players dessa nova batalha pela economia nao serao mais paises e nem talvez uniao entre paises e sim grandes corporacoes, estas que concentram capital bem maior que uma unica nacao. Talvez em um futuro nao muito distante sejamos governados por uma politica dominada de interesses comercias (como se a de hoje em dia nao fosse assim)
Realmente poderá haver uma divisão de poderes, são vários os cenários e creio eu, é quase impossível, na atual geopolítica, demonstrar todas as possibilidades desses dois gigantes econômicos e cada pessoa vê e aceita (ou verá e aceitará) de um jeito diferente essa “pequena nova transformação” que poderemos vir a passar.
Você está vendo um passo mais a frente ainda do que eu prevejo, mas não descarto essa idéia, afinal, hoje já existem empresas que criam monopólios apesar de todo o esforço das nações e órgãos nacionais e internacionais para impedi-las, mas ainda há muito chão pela frente. Obrigada pelo comentário e volte sempre que possível!
Karen Quiroga