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GenY? Eu?

Publicado em: 01-02-2010 | Por: Débora Maria Mitter Marques | Em: Carreira, Comportamento, Gerações

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“Impacientes, infiéis e insubordinados”. Este era o título de uma matéria da Revista Exame de 26 de março de 2008 sobre a Geração Y. Apesar de relativos, esses adjetivos que acompanham rótulo “Geração Y” têm sua razão. Com apenas 24 anos e formada em engenharia, já tive contato com recrutamento e seleção e presenciei conflitos de geração. Vou usar algumas dessas experiências para ilustrar o título da matéria:

Infidelidade
(entendido aqui como “priorizar a qualidade de vida”, independente da empresa ou da fase da carreira)
Estagiei no setor de inovação de uma multinacional do setor automotivo. Eu havia completado um ano de empresa quando abriram uma outra vaga de estágio, e tive que procurar um colega de faculdade para indicar. Conhecendo o trabalho, imaginei o perfil mais adequado e procurei entre os colegas mais confiáveis para uma indicação. Para minha surpresa, os mesmos colegas que mostravam entusiasmo quando eu falava da vaga logo desconversavam quando eu falava da localização da empresa (50 km de São Paulo, quase uma hora de viagem), mesmo sabendo da disponibilidade de transporte fretado. Para mim compensava, pois ví uma grande oportunidade profissional. Além do mais, em São Paulo eu gastaria o mesmo tempo: presa em engarrafamentos. Depois de algumas semanas conseguí levar uma pessoa. Durante a entrevista com meu gerente (eu estava presente) esta diz com todas as letras: “vocês não vão me explorar, né?”

Impaciência

Faço mestrado integral em um laboratório, e às vezes nós, estudantes de pós-graduação, precisamos acompanhar os alunos de iniciação científica. A área envolve análise de materiais e freqüentemente a pessoa precisa fazer trabalhos manuais como lixar, polir, peneirar, ou mesmo fazer gráficos e tabelas. Por mais inovador que seja o projeto do aluno, não tem como fugir disso. Este ano ouvi uma pérola: “não tem como vocês pagarem alguém para fazer isso?”

Insubordinação

Mesmo tendo feito parte de uma gestão horizontal no centro acadêmico, estou acostumada com estruturas hierárquicas:  fiz colégio militar, fui escoteira e freqüento uma Igreja. Na verdade, eu até prefiro quando as regras são claras: perde-se menos tempo com disputas de poder. Vou até mais longe: chamo qualquer pessoa com cabelos brancos de senhor(a), cumprimento com aperto de mão no trabalho e procuro não interromper meu gestor, nem corrigí-lo na frente de outras pessoas. Como conseqüência, acabei sendo “adotada” por orientadores, gestores e colegas, que por várias vezes me ensinaram das coisas mais pequenas até as mais complexas, que me levaram a ter um bom currículo hoje. Observo que muita gente da GenY mostra verdadeira repulsa a conselhos. O tom de listas de e-mails que freqüento está ficando cada vez mais agressivo, assim como as brincadeiras em trabalho com pessoas mais novas são mais permissivas também. Ví mais de uma vez um GenY  gritando com um Baby Boomer em ambiente profissional… Para mim isso não faz o menor sentido.

Por todos esses motivos, não me vejo como típica Y. Apesar de ser entusiasta por inovação e melhoria de processos, estou mais para GenX: também “conectados” em mídias sociais, mas um pouco mais idealistas e dedicados. Pra falar a verdade eu até me preocupo com o futuro. Está ficando cada dia mais difícil colaborar em certos grupos de trabalho voluntário que eu freqüento, à medida que gente mais nova vai entrando: imagino que o mesmo esteja ocorrendo nas empresas… Tenho a esperança de que com o tempo essa geração amadureça e algo mude, para termos um futuro menos “agressivo” e mais colaborativo e comprometido do que visualizo hoje…

Por Débora Maria Mitter Marques

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Comentários (3)

Muito bom o post.
Também faço parte da GenY, e digo que uma coisa que não sou é paciente. Mas isso também é devido a esses níveis hierárquicos e conservadores que não estão nem um pouco dispostos a se adaptarem a este novo ambiente.
Você está acostumada com isso porque como você mesmo diz, fez colégio militar e foi escoteira, onde só falam e escutam bem pouco.
Mas acho que isso com o tempo isso será mais adaptado.

Olá Débora,

Ótimo post, mas acredito que a geração Y tem sido “queimada” por gente que não sabe nem o que é e nem o que quer da vida.
Estamos alinhados as mudanças que ocorreram em nosso tempo e somos avessos as culturas corporativas sedimentares.
Acredito que não ser nem dinossauro e nem bebê seja uma boa escolha.
Sugiro o texto: http://www.infonet.com.br/fernandoviana/ler.asp?id=73931&titulo=Fernando_Viana
Parabéns,

Ótimo post! concordo com tudo que você diz nele. Hoje em dia, a forma decomportamento das pessoas, principalmente dos jovens, tem sido cada vez mais deprimente. Porém ainda acredito em alguns que se diferenciam da massa, na sua concepção, GenX.

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