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Como nossos pais?

Publicado em: 15-01-2010 | Por: Débora Maria Mitter Marques | Em: Gerações

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Muito tem sido falado sobre o conflito entre os GenY e os Baby Boomers, mas encontro um viés muito pessimista no que costumo ler. Para dar uma nova abordagem, convido o leitor a viajar no tempo e se colocar no lugar de um Baby Boomer: imagine que você começou a trabalhar com cerca de 13 anos.

À medida que foi trabalhando, foi decidindo por certas áreas e conseguiu fazer uma faculdade, também trabalhando como estagiário. Você é efetivado e tem um futuro promissor: naquela época, ter um diploma de graduação e de datilografia era uma garantia e tanto!

A empresa em que você trabalha tem um estilo de liderança rígido: apesar de toda a rebeldia do movimento hippie, o ditado “manda quem pode obedece quem precisa” é uma verdade universal. Os anos passam e Belchior lança o verso, imortalizado na voz de Elis Regina: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Na sua empresa, quem dita como serão feitas as coisas são os “especialistas”, que por sua experiência ou pós-graduação tem mais informação e são, por isso, a última palavra nas reuniões. De uma hora para a outra, o mercado muda, informação vira commodity (é só “dar um google”), e os especialistas vão sendo renegados a cargos de menor poder de ação.

Aos poucos, você se vê obrigado a aprender tudo de novo. O inglês substitui o francês que você aprendeu no colégio: só o traduzir letras dos Beatles não é o suficiente. Seu curso de datilografia passa a se tornar desnecessário por causa de uma máquina misteriosa chamada computador pessoal. Você compra um para trabalhar em casa, e quando menos imagina, encontra seu filho de 10 anos escrevendo rapidamente no ICQ ou jogando um videogame em inglês. E para piorar, você passa a depender dele para aprender a mexer no computador. É natural você se sentir ameaçado quando percebe que um estagiário chega nas empresas com treinamento no exterior, fluente em inglês e em uma terceira língua.

Para piorar, assim como se muda de canal, a GenY muda de assunto: é rápida, autodidata, fez melhores escolas que as da sua época, enfrentou uma competição grande para entrar numa universidade, e não tem paciência para ouvir o que você tem a dizer por mais de dez minutos seguidos sem chacoalhar na cadeira, dando sinais de tédio.

Surgem frase do tipo “É a geração do tudo agora”, “não tem compromisso”, “não quer aprender, acha que sabe tudo” e etc. Mas… dizem que o que mais nos irrita nos outros é o que mais reprimimos em nós mesmos. Nesse sentido, imagino que os anos numa estrutura rígida cheia de especialistas reprimiram nos Baby Boomers a curiosidade, a abertura pelo novo, pela tentativa e erro. Aceitaram as amarras de que ter a resposta para tudo é a verdadeira liderança. Se os GenY tem muito a aprender como maturidade, paciência, disciplina e hierarquia, os Baby Boomers tem muito a ganhar com essa interação na medida em que podem se cobrar menos, e que não precisam ter as respostas para tudo. As tecnologias estão avançando muito rapidamente, e assim como a revolução dos computadores, haverão outras. Tentar barrá-las é remar contra a maré. Que os Baby Boomer se inspirem com a liberdade e a vontade de se abrir ao novo com os GenY. Afinal, que geração fez o Woodstock, mesmo?

Por Débora Maria Mitter Marques

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