O Manto Divino sobre nós no Natal
Publicado em: 17-12-2009 | Por: Jany Vargas | Em: Comportamento
Tags:Família, Fim de Ano, Natal, Reflexões
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O Natal é o momento de passar a régua, não é? De ver como estão as relações com a família: Com quem vamos passar a véspera e o dia? Com quem não vamos passar de jeito nenhum…com quem ficam os filhos de pais separados, quem está longe, quem está perto?
Mesmo quem não é católico não tem como passar ao largo. As luzes chinesas piscam para todo lado.
Natal para mim, quando menina, era uma única árvore iluminada na Av República do Líbano. Era pura poesia e me transportava para um lugar de sensibilidade, de refúgio.
Li que uma mãe que tinha decidido criar seu filho sem mentiras contou para ele direitinho que Papai Noel não existia. Ele ouviu muito atento e quando ela parou de falar, ele perguntou: “ Nas casas que não tem chaminé como é que o Papai Noel faz para entrar?”
Li também um executivo contando que quando algo é criado a tendência é que continue existindo mesmo que os motivos que levaram à criação daquele hábito não existam mais.
Natal está nessa categoria. Papai Noel tem mais ibope que o aniversariante Jesus nesta época.
Saí por aí perguntando o que era o Natal. Marcia me falou que para ela era a festa de Reis, no interior da Bahia, quando ela era menina. O povo tocando, cantando e bebendo cada dia na casa de alguém.
Para Silvia é recolhimento, é se voltar para dentro e lá reencontrar o carinho dos avós. Ela disse que faz parte da nossa cultura e que é um belo momento de encontro para a família, mas que quando colocamos nossa falante mente para criticar, o encantamento do Natal se perde.
Para Arnaldo que, como psícólogo, tem a profissão de ouvir o que diz o íntimo de cada um, Natal são as dificuldades com a família vindo a tona, mas mais que tudo é Amor.
Amor ao próximo, dizia Jesus. Aquele que, segundo a Tradição, era Deus vivendo na forma humana.
Vera me fala que o Pinheiro é a única árvore que se mantém verde no inverno europeu, por isso ela é escolhida para representar aquilo que nunca morre e que Deus nasceu nenê Jesus num lugar humilde, porque ele veio e vem para todos, sem distinção.
Ana diz que a árvore e suas luzes somos nós iluminados. Sergio me conta que foi suprimida das escrituras a frase em que Jesus diz que o Homem é filho do Pai do Céu com a Mãe Terra. Somos então um corpo semeado na terra que contém uma alma divina.
O Natal é então uma boa hora para nos lembrarmos que há Mistério permeando nossa existência, que há uma Fonte de onde jorra toda essa Criação.
Tenho descoberto que para além das minhas grandes bobagens, minhas inseguranças, meus esconderijos vive em mim uma grande força. Quando me lembro de colocar os pés bem fincados nessa minha mãe Terra, levanto os olhos para o Céu e sinto que há em mim um canal por onde passa a energia da criação. Percebo que, como todo mundo, apesar das minhas crenças limitantes, tenho muito poder: O poder de acolher, de amar, de me auto conhecer, de não atrapalhar. E isso não é privilégio meu. Sai Baba disse: “Eu sou Deus, e a única diferença entre eu e as outras pessoas é que eu não me esqueço disso”.
Convido a todos neste Natal a fecharem os olhos por alguns instantes e sentir o Manto Divino que nos cobre a todos e a ver com o olhar interno a estrela que brilha muito intensamente neste dia para nos conduzir a uma manjedoura onde nasce sempre o Mistério, que não temos como compreender, mas que podemos sentir. Convido a todos a abrir o mais lindo presente que é se lembrar de que estamos aqui por um tempo curto e que temos em nossas mãos a possibilidade de nos recriarmos.
Por Jany Vargas

















