2060: O que aprendi com o tempo…
Publicado em: 16-12-2009 | Por: Bruno Mascarenhas | Em: Carreira, Comportamento, Gerações
Tags:Brasil, Carreira, Crenças, GenY, Gerações, Reflexões, Relacionamentos, Sociedade
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Você é meu convidado para fazer uma grande viagem no tempo agora…
Imagine que estamos em Dezembro de 2060.
“Está chegando mais um Natal. Já foram mais de setenta!
Eu já vi essa mesa rodeada de gente por tantos anos, que sou o único que presenciou a renovação de gerações a cada década. Por alguns minutos, sentado na cadeira de balanço, surge a reflexão inevitável… Valeu a pena?
Aqueles grandes professores da escola, da universidade, do MBA… aqueles grandes empresários nos quais espelhei minha carreira… Todos já se foram.
Meus avós, tios, pais… Já não estão mais comigo aqui. Pouca coisa me prende à época que vivo agora, e eu insisto em querer viver tudo de novo. Cresci na famosa revolução tecnológica e digital. Fiz parte da inovadora e bombástica Geração Y que prometeu chegar pra revolucionar de vez as comunicações. É, a gente deu o que falar! Criamos as empresas mais descoladas, popularizamos a internet, as redes sociais, fizemos um networking invejável pra qualquer geração passada. Mas… em alguns momentos deixamos de viver um pouco.
Ah se eu pudesse voltar no tempo… Acho que faria muita coisa diferente. Devia ter abraçado mais meus amigos, devia ter dito que os amava antes de vê-los partirem. Afinal, foram tantos anos de confidências, de devaneios, de amor verdadeiro e fraterno…
Devia ter dado mais atenção aos meus pais. Já que eu nunca saberia quando eles iriam partir, deveria ter feito isso desde sempre.
Meus inúmeros companheiros animais também já se foram. Foram tantos cães, gatos, pássaros e hamsters que não consigo nem lembrar o nome. E os amigos de escola… A gente achava que tudo seria pra sempre. Será que ainda estão vivos?
Descobri que o “pra sempre” sempre acaba. Agora estou aqui… Eu e minha bengala. É mais uma noite de Natal, os familiares se encontram para uma reunião. Gente que não se falou o ano inteiro agora tenta se relacionar com toda a família. Os jovens acabam descobrindo que aquela priminha pirralha ficou linda e as crianças correm em volta da mesa, como sempre correram. Estão todas ansiosas pra tentar passar mais uma noite em claro, na esperança de encontrar o velho Papai Noel.
Quando eu era adolescente achava tudo isso uma grande tolice, mas vejo que os tolos fomos nós. É só notar o tamanho do sorriso das crianças e o tamanho do nosso… É muito melhor acreditar.
Minha geração ficou marcada por não acreditar muito nos políticos, na seleção, no futuro da humanidade… Hoje vejo que conseguimos dar a volta por cima. O mundo não acabou em 2012, as guerras nucleares não aconteceram e a guerra do Petróleo de 2025 não durou tanto tempo. Os países conseguirem amenizar o impacto ambiental e ganhamos uma sobre-vida de mais algumas décadas…
Nós fomos tolos em achar que estava tudo perdido. Espertas são as crianças. Elas acreditaram o tempo todo. E insisto, os tolos fomos nós.
Se eu tivesse pensado nisso mais cedo, talvez tivesse mais tempo pra aproveitar meus amigos, as pessoas e meu trabalho. Teria aprendido a lidar com meus erros e com minhas quedas eu aprenderia a caminhar melhor. Perdi muito tempo tentando ser o profissional idealizado pelas revistas e jornais, ao invés de melhorar meus pontos fracos. Perdi muito tempo discutindo com as pessoas porque não concordava com suas opiniões religiosas, políticas, sexuais e ideológicas.
Agora é um pouco tarde e o tempo não vai me esperar mais. Descobri que o grande segredo da vida é ter uma alma jovem, acreditar e fazer minha parte. Descobri que depois que aprendi a sorrir até dos problemas, tudo ficou muito mais azul e tranquilo.
Descobri que nunca é tarde pra recomeçar, pra dar valor às pessoas e principalmente, pra dizer que as amo. A vida passa rápido demais, se a gente se distrai, deixa passar grandes pessoas, grandes profissionais e grandes experiências.
Quer saber? Essa noite vou ficar acordado com as crianças, pra esperar o bom velhinho…”
E você? Em 2060 acha que vai ter se arrependido de alguma coisa? Que faria alguma coisa diferente?
Por Bruno Mascarenhas


















Nossa, é muito gostoso fazer essa viagem e perceber que realmente a gente acaba deixando de fazer muita coisa bacana pra depois, sendo q não sabemos se esse depois chegará..
Adorei.
Texto fantástico!
Cheio de alma e principalmente de senso de realidade.
O mais importante é vivermos inteiramente, porque inevitavelmente um dia ela acaba.
Parabéns!