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Eu, ETs e o Rabo do Tatu

Publicado em: 03-12-2009 | Por: Jany Vargas | Em: Comportamento, Comunicação

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2409905352_48eacf481eGosto do Mesmo, aquele que mora dentro do elevador. Se a gente não verificar se o Mesmo encontra-se ali parado, corre-se o risco de cair no fosso.

Do A Gente e As Pessoas gosto também. Servem para tudo. Úteis, por exemplo, para que eu diga que As Pessoas acham que o recente Apagão foi causado por ETs.

O Você também é bom. Você tem que entender que se a gente não discutir a relação ela se tornará morna, cairá no feijão com arroz…

Dizem (quem diz?) que os portugueses são literais. Se, como diz a piada, você (olha o Você de novo) perguntar: Você tem horas? Os portugueses responderão apenas sim, se tiverem um relógio no pulso. Aqui, uma pergunta dessas, terá como resposta: Três e dez. Cair no feijão com arroz para eles deve soar muito estranho. Como? Cair em cima do prato?

Os argentinos, segundo me contaram, se fixam no Yo e no Vos. Vos devia ter feito isso e aquilo, Yo faço aquilo e aquilo outro – de maneira melhor, claro.

O nosso A Gente é bem mais bonzinho: Não sou eu que acho que os políticos são corruptos, é A Gente… Nem sou eu, a maluca, que acha que os ETs apagaram o interruptor, deixando parte do país às escuras.

Nunca tinha me dado conta disso até começar a frequentar um Grupo de Prática de Diálogo. Lá a regra é: sem a gente, sem nós, só Eu. Achei muito fácil na primeira vez. E quando tasquei A Gente para esboçar um argumento, claro que muito inteligente, fui barrada no baile. O terapeuta que conduzia o grupo me corrigiu delicadamente: “A Gente não, Eu!”.

Fiquei brava e retruquei: Assim não dá para explicar!

De lá para cá venho tentando… Devagar fui sentindo que se por um lado esse Eu me traz mais responsabilidade (sim, Eu vi ETs nos postes, desrosqueando lâmpadas), me traz também mais legitimidade. Eu  percebo! Eu sinto! Eu penso! Eu… existo!

Agora, quando alguém fala A Gente, fico com vontade de dizer: A Gente quem cara pálida? “Me inclua fora dessa!”. Fico só na vontade porque tem um acordo muito bem estabelecido, ao menos aqui no meu planetinha Granja, que A Gente não é eu, nem tu nem o rabo do tatu!

Outra regra, no Diálogo, é que só se pode falar a partir da experiência pessoal. Como é gostoso para mim quando alguém conta algo que viveu. Em qualquer roda de conversa em que isso acontece sinto como a atenção de todos se concentra na pessoa que está contando. E como combater uma experiência? Como entrar numa discordância? Quando alguém fala que torce pelo Palmeiras porque quando ia ao jogo o pai o colocava em cima do ombro para comemorar gols, mesmo sendo de outro time posso entender o que o Verdão significa para ele. O Diálogo é isso: Um significado que permeia as pessoas envolvidas. Nenhuma discussão para vencer, nenhum debate para arrasar com o argumento do outro. Simplesmente sentar junto, ter a possibilidade de se observar e partilhar a experiência comum de sermos humanos rodeados por Ets que gostam de escurinho!

Por Jany Vargas

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